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Panorama do Mercado de Fertilizantes no Brasil

  • Foto do escritor: Ricardo Lima de Souza
    Ricardo Lima de Souza
  • 11 de mai.
  • 4 min de leitura

O mercado brasileiro de fertilizantes vive um momento de transição delicado. Os preços continuam em patamares historicamente elevados, mas o ritmo frenético de compras que marcou março e abril deu lugar a uma postura mais cuidadosa por parte dos produtores. O problema agora não é só o preço — é a conta que não fecha.


Com fertilizantes até 63% mais caros do que no ano passado e os preços dos grãos sem acompanhar essa alta, o produtor rural está diante da pior relação de troca dos últimos 20 anos. Em outras palavras: para comprar a mesma quantidade de adubo, ele precisa vender muito mais soja, milho ou qualquer outra cultura.


O que é relação de troca e por que ela importa agora?

A relação de troca — também chamada de barter — mostra quantas sacas de produto agrícola o produtor precisa "trocar" para comprar uma tonelada de fertilizante. Quanto maior esse número, pior para quem está no campo.


Veja como ela piorou de 2025 para 2026:

Cultura

Fertilizante

2025

2026

Soja

MAP

25–30 sacas/t

30–35 sacas/t

Soja

Ureia

28–32 sacas/t

35–40 sacas/t

Milho

MAP

40–50 sacas/t

50–60 sacas/t

Milho

Ureia

50–60 sacas/t

60–70 sacas/t


Isso significa que o produtor está entregando mais da sua produção para comprar os mesmos insumos — e com margem cada vez menor.


Como estão os preços dos principais fertilizantes?

Ureia (Nitrogenado)

A ureia segue sendo o nutriente que mais chamou atenção nos últimos meses. Após disparar mais de 50% em um único mês no auge da crise, o preço desacelerou, mas ainda está longe de voltar ao normal.

Faixa atual: US$ 710 – 760/t CFR Brasil


O que sustenta o preço alto:

  • Custo elevado do gás natural (matéria-prima principal)

  • Restrições de oferta em países produtores

  • Tensões geopolíticas no Oriente Médio, região que responde por cerca de 34% da produção global de nitrogenados


Resumo: A ureia parou de subir, mas continua cara. Quem ainda não fechou contrato precisa agir com estratégia.



MAP (Fosfatado)

O MAP é o nutriente que mais preocupa o setor neste momento. Com pouca oferta disponível no mercado internacional e custo do enxofre ainda pressionado, o produto não dá sinais de alívio.


Faixa atual: US$ 890 – 930/t CFR Brasil

Fatores que mantêm o preço elevado:

  • Restrições nas exportações asiáticas

  • Custo elevado do enxofre (matéria-prima do MAP)

  • Oferta internacional limitada


Resumo: O MAP é o principal ponto de atenção da carteira do produtor hoje. Pouca flexibilidade, alto risco.


KCL — Cloreto de Potássio (Potássico)

O KCL continua sendo o fertilizante com o comportamento mais previsível entre os três principais. O mercado segue com reposição gradual e fornecedores sustentando ajustes moderados.


Faixa atual: US$ 395 – 415/t CFR Brasil


Resumo: O KCL oferece a melhor janela de planejamento do momento — mais estável, com menor risco de ruptura.



O que está chegando nos portos brasileiros?

Os portos do Sul e Sudeste seguem operando em ritmo intenso. Maio é historicamente um dos meses mais movimentados para importação de fertilizantes, pois coincide com a janela de abastecimento para a safra 2026/27.


Porto de Paranaguá/PR

Principal porta de entrada do Brasil, Paranaguá responde por cerca de 24% a 27% de todo o fertilizante que chega ao país. Nesta semana, o fluxo de descarga segue elevado, com predominância de ureia, MAP, KCL e sulfato de amônio. O escoamento para o Centro-Oeste e Sul continua intenso.


Porto de São Francisco do Sul/SC

Ganha cada vez mais relevância pela eficiência operacional. Nesta semana, o destaque foi para KCL e MAP destinados a operações de formulação regional no estado de Santa Catarina.


Porto de Santos/SP

Mantém forte movimentação, especialmente para grandes grupos importadores e tradings. O custo operacional e a disputa por espaço de armazenagem seguem como desafios.


Porto de Vitória/ES

Segue como corredor relevante para abastecimento do Sudeste e parte do Centro-Oeste, com fluxo constante de MAP e KCL.


Como o produtor brasileiro está reagindo?

A postura mudou. O produtor saiu do modo "comprar tudo antes que acabe" e entrou em modo de gestão de risco e proteção de caixa.


Os movimentos mais observados nesta semana:

  • Compras fracionadas em vez de grandes volumes de uma só vez

  • Preferência por contratos mais curtos

  • Maior cautela especialmente com MAP

  • Melhor fluidez nas negociações de KCL


Segundo a Yara Brasil, o crédito restrito e a taxa de juros em torno de 15% ao ano — com taxa real podendo chegar a 24% — criaram um gargalo financeiro que inviabiliza a conta para muitos produtores. A consequência direta pode ser uma retração na demanda de mercado entre 5% e 10% ao longo de 2026.


O que esperar para as próximas semanas?

Fertilizante

Tendência

O que observar

Ureia

Lateral com leve viés de alta

Movimentos geopolíticos no Oriente Médio

MAP

Firme e pressionado

Qualquer sinal de relaxamento das restrições asiáticas

KCL

Alta gradual e consistente

Contratos de fornecimento globais


O mês de maio e junho concentra a principal janela de importação para a safra 2026/27. Quem ainda não garantiu o volume mínimo de insumos enfrenta risco logístico crescente — e os preços não devem recuar de forma significativa no curto prazo.


Leitura Estratégica Spazio Agro

O mercado não voltou ao normal. Ele ficou mais caro e mais exigente.

O produtor que vai sair melhor dessa situação é aquele que:

  • Monitora a relação de troca antes de fechar qualquer compra

  • Compra em parcelas menores e em momentos estratégicos

  • Mantém volume mínimo garantido para não comprometer a produção

  • Usa análise de solo para aplicar apenas o necessário, sem desperdício

  • Está atento ao câmbio — com 85% dos fertilizantes importados, o dólar faz diferença direta no custo


Fontes: CNN Brasil · Rabobank · Farmnews · StoneX · Itaú BBA Consultoria Agro · Yara Brasil · ANDA · Sistema Faep · Conab · Cibra Fertilizantes

 
 
 

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